Friday, September 15, 2006

Moinhos e moleiros ... 2















Imagens do menir da Moinhola, da inscrição feita pelo Sr Paulino e da gravura cruciforme junto ao Moinho do Vinagre, em Mora.
Já agora, convém recordar que as mós (inteiras ou fragmentadas) foram recorrentemente utilizadas na construção de monumentos megalíticos (antas e menires); no caso do menir 7 das Fontainhas, quase todas as pedras da estrutura de implantação eram mós... E há ainda o caso de uma mó implantada como menir, na Beira Baixa (o menir das Cegonhas).

2 comments:

Artur Eduardo said...

Saudações "megalíticas", eu sou o Artur, bisneto de Joaquim Caeiro Paulino. Fico desde já muito contente e agradecido pelo interesse demonstrado pela minha "estória", o meu bisavô iria de certeza gostar bastante de todo este assunto.

Queria só acrescentar que do Moinho de Miguens, antes de ser submerso, retirámos 5 lages de xisto gravadas por ele e 5 mós, duas delas também gravadas por ele. Uma delas é bastante peculiar, pela forma irregular que não era habitual numa mó. Uma outra pedra de granito é também curiosa, pelo formato (um U rectanglar) e pelo facto dos meus pais, que viram o moinho em pleno funcinamento, não saberem para que serviria. É que ambas, quer a mó quer a pedra, faziam parte do piso da "rua" do moinho, ou seja, foram aproveitadas para pavimento. É curioso que fui eu que fiz questão de levar a mó e a pedra, que achava estranhas. Quando virámos a mó vimos que também estava gravada e assinada pelo meu bisavô, (mais)uma grande surpresa.

Fica aqui desde já o meu convite ao Manuel Calado para ver "in loco" as ditas pedras, será interessante ver a técnica de gravação do meu bisavô e os apetrechos em madeira com que ele sozinho manipulava aquelas mós aparentemente impossíveis de deslocar.

De referir que a outra mó de granito, além das suas inicias, tem também um estranho quadriculado que, segundo a minha mãe, era utilizado pelos moleiros como tabuleiro de jogo, se bem que não seria xadrez nem damas uma vez que as quadrículas são em menor número. Vou apurar que tipo de jogo era, seria curioso.

Aproveito para acrescentar que, segundo também a minha mãe, neta do Sr. Paulino, a parte de baixo do menir da Belhôa poderá estar na antiga fábrica de moagens do Telheiro, hoje o muito interessante restaurante Sem-Fim. Não sei se já tinham conhecimento disto, mas vou verificar na mesma.

Despeço-me, aproveitando para dizer que têm um blog e um site muitíssimo interessante, conheço alguns estrangeiros que abordam este tema mas desconhecia, uma (grande)falha minha, um português. Parabéns.

Manuel Calado said...

Obrigado, Artur, pelos elogios ao site que, a partir de agora, é também seu.
Estou interessadíssimo nas pedras e na história do Sem Fim (será que a Arlinda sabe?)

A propósito, recordo-me do Dr. Quintino Lopes, economista e arqueólogo amador, que descobriu o "cromeleque" do Monte da Ribeira, em Reguengos.
Ele era filho de moleiro e colleccionava mós de todas as épocas, com a intenção, nunca concretizada, de fazer um Museu da Moagem. Os amigos brincavam com a ideia referindo-a como o MóSEU do Dr. Quintino.