Thursday, August 31, 2006

Mãe África



Kruger Park. Onde é que eu já vi uma pedra parecida com esta?

Muita Gente, Poucos Menires



Ao ver o mapa de Mora (em www.crookscape.org ver Mora Pavia 2006, semana 6), pergunto: não falta qualquer coisa?

Temos neolítico antigo/médio, temos sepulturas proto-megalíticas, temos um recinto, temos uma espectacular indústria micro-laminar, então onde estão os menires? Que cenários podem ser projectados sobre estes dados?

A transição estuários-interior, fenómeno balizador de uma neolitização regional, está intimamente associada às paisagens por onde os menires são mais frequentes. É mesmo coincidente.

Então Mora, na rota mais evidente entre o estuário do Tejo e a região Centro Alentejana, deveria dar corpo a uma paisagem de menires.

Friday, August 18, 2006

Memoria do Gema


Para a memória do Gema, ficam estas breves datas. A 7 de Julho de 2000 arranca o Gema, nascido de uma ideia do Pedro Alvim e cozinhada entre Lisboa e o Alentejo. A 17 de Janeiro de 2005, com a experiência dos anos anteriores, o site ganha uma nova dimensão e um novo rosto. No passado dia 10 do corrente, o Gema inaugura este blog.

Wednesday, August 16, 2006

Circling the Square




Last Spring, Cornelius Holtorf has been (once again), with his team, excavating at Monte da Igreja, near Évora (Central Alentejo, Portugal.
His work has been concerned with the live story of a megalithic monument (a small dolmen), coming up until the present days.
Close to the megalithic grave there were surface evidences for a Roman settlement, and, in the excavation, a muslim coin has been found.

Cornelius has been teaching in Cambridge for some years and, for the moment, he is teacher in the Swedish University of Lund. Though he is doing a very serious work, Cornelius doesn’t lack sense of humour: in his last excavation at Monte da Igreja he left his visitors surprised with a provocative method of excavation: one of the trenches open to have a wider insight in the Roman structures, instead of quadrangular, was circular…

Of course, with a modern Barker-Harris methodology, and a Total Station on the site, there is no need at all to keep the “traditional” lay-out of the excavations; but someone had to show it.

and Cornelius is not at all a squared mind…

As an answer to that stimulus, we (me and Leonor Rocha) decided to replicate with a window in the trench, at our current excavation of a Neolithic site (Barroca 1), in Mora (Central Alentejo).

Megalitismo alentejano contemporâneo II





Na sequência do post Megalitismo alentejano contemporâneo, junta-se agora António Couvinha, artista também ele alentejano e das paisagens alentejanas.

Monday, August 14, 2006

Do Escoural ao Guadiana por Kandinsky


"Quando, como nestes últimos anos, me sirvo, tão frequentemente e com uma preferência tão marcada, do círculo, a razão (ou a causa) não é a forma 'geométrica' do círculo, ou as suas propriedades geométricas, mas sim a minha intensa percepção da força interior do círculo nas suas inumeráveis variáveis; gosto hoje do círculo como gostava em tempos, por exemplo, do cavaleiro - talvez até mais, na medida em que encontro no círculo maiores possibilidades, razão pela qual ele tomou o lugar do Cavalo."

Kandinsky, 1930

Mammoths in Pavia





The owner of a nice farm, in the surroundings of Pavia, has discovered a very interesting geologic formation, recalling a mammoth, in an area with strong megalithic occupation.
The most extraordinary is that the most suggestive part of the animal, the “nose”, seems to have been arranged by human agency, according to the superficial texture of this part of the rock, compared with the neighbouring areas.
The fact that mammoths were probably extinct by the time of the megalithic builders, could, theoretically, be by-passed by different alternative ways:
The “sculpture” could have been made in Palaeolithic times.
The Neolithic people living in Pavia could be aware of the appearance of the animal through the observation of Palaeolithic art.
The information could have come from Malta and Sicily, where the Dwarf Mammoth apparently did survive until relatively recent times.
Whatever explanation we choose, it is clear that, in prehistoric art, the shape of the rock was frequently used to inspire the motifs carved.
Besides, we must be aware that natural outcrops are closely related with the very genesis of megaliths.

Close to the "animal", there is an interesting rock-shelter, once reported by Vergílio Correia, and close to the farm-house we found evidences for a pre-historic settlement - a granite quern and some hammer-stones... They have been there...

Mora 2006: Barroca, novas percepções de um velho povoado

Ao iniciarmos, este ano, a escavação do povoado neolítico da Barroca, demos lugar a uma nova habitação do sítio.
Passamos cerca de 5 a 8 horas por dia no povoado, andamos para cá e para lá, fazemos prospecções em torno da lomba ocupada pelos neolíticos e cada um de nós vai sedimentando a sua percepção do lugar e da envolvente.
A descoberta de novos núcleos de habitat neolíticos, do outro lado da curva do Raia, e as prospecções que aí fazemos, desdobram, por assim dizer, a nossa percepção do território. Com caminhadas, questões, procuras e descobertas, cada um de nós vai construindo a sua paisagem significativa.

Da Barroca vê-se a área ocupada pelos vários núcleos da Chaminé, do outro lado das várzeas do Raia; essa linha de vista, fechada pelos cabeços terciários que estão por detrás da Chaminé, dá-nos a sensação, não só dos sítios, mas da paisagem habitada pelos neolíticos. (De facto, prospectamos as várzeas e vamos encontrando, dispersos, cacos, percutores e seixos talhados…)

Da Barroca não se vê o recinto das Fontaínhas. No entanto, os mapas permitiram reconhecer que aquele se relaciona com a Barroca, de uma certa forma, através da ribeira de Mora. A ribeira estabelece a ligação entre o povoado e o monumento.

Os 3 cabeços do post do quotidiano, decorrem de uma observação (percepção) do Manel no menir do Barrocal que, depois de comunicada, se tornou significativa para mim. Na Barroca notei a coincidência e dei-lhe, eu, significado, retribuindo-a. Coisas de percepção, significado e comunicação.

Na Barroca, quando andamos com a cabeça levantada e olhamos os horizontes, a ribeira ou outras coisas da paisagem, podemos estabelecer ligações visuais e mentais com os outros lugares neolíticos que conhecemos. Podemos imaginar (e especular sobre) algumas das conexões que fizeram a paisagem neolítica.

Serra d'Ossa a preto e branco







2006 parece ser um ano especial para a paisagem da serra d'Ossa: em Fevereiro, ficou branca de neve, como há muito tempo não se via e agora, em Agosto, cobriu-se tristemente de negro.
A coincidência é, segundo parece, ter terminado, neste mesmo ano o contrato de exploração do eucliptal, pela Portucel.
A serra d'Ossa precisa agora de um jeitinho para recuperar dos maus tratos...

Saturday, August 12, 2006

Megalitismo alentejano contemporâneo





O megalitismo é, antes de mais, uma forma de arte rupestre.
Trata-se de criações tridimensionais, nas origens da escultura e da arquitectura, em que as paisagens desempenham sempre um papel fundamental: os monumentos são eles próprios mais os sítios em que se inserem.

Menires e antas são parte das memórias inscritas nas paisagens alentejanas.

Fazem certamente parte do nosso mundo, como viajantes chegados do fundo do tempo.

Inspiram respeito. Merecem respeito.

Como início de uma série a inserir em próximos posts, aqui deixo alguns trabalhos de Manuel Casa Branca, pintor alentejano e pintor de um Alentejo re-montado.

Friday, August 11, 2006

O ritual do quotidiano ou o quotidiano do ritual

Uma observação e algumas notas soltas sobre o Neolítico alentejano
por Manuel Calado e Pedro Alvim

Foi Lua Cheia a 9 de Agosto.
O céu estava turbado pelos efeitos colaterais dos incêndios na serra d’Ossa, acentuando um certo cenário de filmes de mistério .

Visto do povoado neolítico da Barroca (Mora), o pôr-do-sol aconteceu sobre os cabeços mais conspícuos na margem direita do Raia, em frente à vila de Mora, um dos quais é conhecido como o Cabeço da Mina e sobre o qual, soubemo-lo recentemente - sem surpresa - se contam lendas de carácter mágico.

Poucos minutos depois, a Lua surgiu sobre uma série de três cabeços muito destacados, que constituem o horizonte da Barroca, entre o Leste e uns quantos graus a Sul.

A aparente relação entre a skyline do povoado da Barroca e as posições, no horizonte, do Sol e da Lua, no momento da Lua Cheia, não seria muito surpreendente se se tratasse de um monumento e não apenas de um sítio de habitat.
E uma das questões que, de imediato, se levantam é precisamente, a dos limites entre o comportamento simbólico e o quotidiano.

Arqueologicamente, vão surgindo, aqui e ali, indícios de que essa fronteira foi fácil de transpôr, se é que alguma vez existiu para além das categorias mentais enraizadas no presente.

A própria descoberta do povoado da Barroca surgiu na sequência de uma questão, certamente pertinente, colocada a propósito do estudo, iniciado no ano passado, do recinto megalítico das Fontaínhas: onde viviam os construtores do recinto?

No fundo, a esta pergunta subjaz uma divisão/exclusão entre os cenários das actividades quotidianas e as actividades rituais que talvez necessite, até certo ponto, ser relativizada.
Note-se a semelhança (eventualmente uma coincidência) entre o horizonte oriental, visível a partir do menir do Barrocal, em Monsaraz, e o do povoado da Barroca.





















Colina de Monsaraz vista a partir do menir do Barrocal

Menires em antas


Embora se esteja ainda, com os menires em antas, a aflorar matéria recente e pouco estudada, já os cenários se tornam rebuscados e desafiadores.

Junto a Valverde e, depois dos menires da anta Grande do Zambujeiro e da anta 2 da Mitra, temos uma terceira anta, também com menir, na mesma área. Estou a falar da anta 6 do Álamo (imagem) e, estou a falar de uma concentração de antas com menires extraordinária. Se a este grupo juntarmos, por razões óbvias, a anta 1 de Vale Rodrigo, concluí-se ter sido a área alvo de um processo de re-utilização de menires, ou re-monumentalização, especial e interessante.

Curiosamente o fenómeno não é, tudo leva a crer, inédito. Existe uma segunda área, pelo menos e, por agora, onde se verifica idêntica concentração de antas com menires. Na cabeceira da nascente do Almansor, encontramos um outro conjunto de antas com menires e, menires isolados - anta 4 de Alcanede, anta 1 do Silval, anta de Folgos, um conjunto de menires junto às antas da Cegonheira e, aparentemente, um menir inédito entre os montes de Alcanede e de Folgos.

Este tipo de concentração de antas com menires levanta suspeitas de diversa ordem, todavia e, antes de mais, as paisagens são um bom ponto de partida. Para este fim-de-semana será interessante re-visitar alguns destes sítios.

Thursday, August 10, 2006

Editorial

O GEMA - Grupo de Estudos do Megalitismo Alentejano - reúne, de modo informal, pessoas interessadas na investigação e divulgação do património megalítico regional, numa perspectiva integrada: interessam-nos, para além dos monumentos megalíticos propriamente ditos, a arte rupestre e as redes de povoamento que com eles se relacionam cronologicamente, assim como as modalidades paisagísticas que os enquadram.

O site do GEMA (www.crookscape.org) pretende, de uma forma faseada, reunir e disponibilizar a informação básica relativa aos monumentos e sítios conhecidos e, em paralelo, divulgar estudos recentes centrados, sob diversas perspectivas, no tema genérico do megalitismo alentejano.

Numa primeira etapa - limitada, por razões práticas, ao Alentejo Central - são apresentados os monumentos que, num balanço global, constituem o traço mais original do megalitismo alentejano: os menires.

Trata-se, segundo cremos, de um conjunto fundamental para a discussão das origens do megalitismo e da própria monumentalidade, no contexto da Europa atlântica.

O megalitismo funerário (antas, tholoi e sepulturas proto-megalíticas), cujo número, só no Alentejo Central, ascende a perto de um milhar de monumentos conhecidos, será tratado numa segunda etapa deste projecto, que, por definição, se pretende um processo contínuo e aberto.