Sunday, November 23, 2008

Cueva Ambrósio

Cueva Ambrosio (Varadero, Cuba)






































































Saturday, November 22, 2008

Megalitismo na Foz do Amazonas

Um novo blog no universo do megalitismo. Tropical.


Thursday, November 13, 2008

E também curiosidades



"The author is writing about the Amoricaine or Belon oyster, the flat one, the most prized and arguably best oyster in the world."

Wednesday, November 12, 2008

Conchas, bolotas e metáforas

Dando continuidade aos dois posts anteriores, em tom ligeiro, vamos lá reunir mais umas metáforas (e trocadilhos).

conchas e boletas = o litoral e o interior.

As conchas chegam ao interior. Poucas, mas chegam.

Tal como a cerâmica cardial, que é escassa nos povoados do interior alentejano, mas existe.

cerâmica cardial = berbigão



Associado à boleta, outro símbolo da paisagem alentejana: o cocho.
Forma razoavelmente conchoidal.
Bebe-se a água, nas fontes rurais do Alentejo,
usando um cocho
ou com as mãos em concha ou na concha da mão.
Desconheço a origem etimológica da palavra cocho.
Concha? Corcho? (em espanhol, cortiça) Côncavo?
Curiosamente, concoidal e côncavo não têm qualquer relação etimológica...
E a concha acústica ? Já agora, como funcionam acusticamente os recintos megalíticos?

Bonita concha da arqueologia amazónica. É tanga.


Monday, November 10, 2008

Glandes interpretações

Glande ou bolota
Em latim: Glans
Glande
ou cabeça, do pénis
Glande ou cabeça, do clítoris


O carácter fálico dos menires tem sido interpretado com base na suposta presença, em alguns deles (sobretudo, no Algarve, mas não só) de representações da GLANDE.
O menir do padrão (na imagem acima), sugere, de forma bastante sugestiva, uma figuração da glande.
Na verdade, as ditas "glandes" podem corresponder apenas a representações esquemáticas da cabeça, em figuras de carácter antropomórfico.

Porém, a língua portuguesa (ou inglesa) (ou francesa) reforça esta ambiguidade semântica: na linguagem corrente, a glande peniana (ou clitoriana) é igualmente designada por "cabeça".

O corpo humano é a medida de todas as coisas:

- o parafuso tem cabeça
(anedota a propósito, ou talvez não:
Diz a porca para o parafuso:
-Meu parafuso
Este responde:
- Minha porca...)

- o fósforo tem cabeça
(anedota a propósito, ou talvez não:
Diz fósforo para a caixa:
- Ai filha, cada vez que passo por ti, perco a cabeça)


-as paisagens têm cabeços

- na verdade, qualquer coisa (como, por exemplo este post) pode ser "sem pés nem cabeça"


Complemento poético:

Salve, falo sagrado,
Erecto na planura
Ajoelhada!
Quente e alada
Tesura De granito,
Que, da terra emprenhada,
Emprenhas o infinito!

Miguel Torga


SONETO DO PAU DECIFRADO

É pau, e rei dos paus, não marmeleiro,
Bem que duas gamboas lhe lobrigo;
Dá leite, sem ser árvore de figo,
Da glande o fruto tem, sem ser sobreiro:


Verga, e não quebra, como zambujeiro;
Oco, qual sabugueiro tem o umbigo;
Brando às vezes, qual vime, está consigo;
Outras vezes mais rijo que um pinheiro:


À roda da raiz produz carqueja:
Todo o resto do tronco é calvo e nu;
Nem cedro, nem pau-santo mais negreja!


Para carvalho ser falta-lhe um U; [carualho]
Adivinhem agora que pau seja,
E quem adivinhar meta-o no cu.


Bocage




Saturday, November 08, 2008

Ora, bolotas!!!!

Há limites para a arqueologia interpretativa?

Bolotas e pedras

A bolota foi, indiscutivelmente, uma das bases da alimentação, na pré-história alentejana: vários autores sugeriram, aliás, que a bolota, por permitir a stockagem, constituia um recurso importante na economia neolítica (e, eventualmente, anterior); podia ser consumida ao natural, assada, cozida, ou, depois de farinada, sob a forma de pão.

Para além dos dados carpológicos disponíveis, existem mesmo algumas representações de bolotas, integráveis na categoria dos objectos do sagrado, de tipo ídolo (como, por exemplo, no vizinho povoado de Valencina de la Concepción).

Porém, o potencial simbólico da bolota tem passado despercebido à maioria dos investigadores.

Na verdade, como sabemos, a azinheira é a árvore por excelência da paisagem alentejana.

Os bosques sagrados de querci, da mitologia druídica, são, claro, um indicador da importância ritual e metafórica da bolota na pré-história do sudoeste peninsular.

A bolota como referencial natural dos menires alentejanos.

Repare-se no umbo, ligeiramente assimétrico, encimando um perfil mitriforme, como ocorre em alguns menires especiais.

Ou no potencial simbólico de certos arranjos de bolotas, para os rituais de fecundidade.


Ou mesmo de fertilidade

E há também as implicações arqueoastronómicas, de tipo lunar

ou solar


Mesmo a forma dos vasos neolíticos pode, é claro, dever muito à bolota...

por isso, é muito sugestiva a presença de bolotas na cerâmica popular alentejana (aqui, uma peça simbólica - geralmente usada para o ritual do fumo. Note-se o umbo, ligeiramente assimétrico, copiado de formas naturais.

Com alguma criatividade, a planta dos Almendres poderia ter-se inspirado no contorno da bolota.



A ligação entre a bolota e o megalitismo funerário é uma constante nas paisagens culturais do alentejo neolítico.
A associação simbólica da bolota ao mundo dos mortos, entende-se melhor se pensarmos que a azinheira mergulha as raízes no interior da terra que, afinal, é o destino mais imediato dos mortos. As azinheiras, junto aos monumentos funerários, alimentam-se dos corpos decompostos dos cadáveres: comer estas bolotas é, até certo ponto, uma forma de canibalismo ritual...

Transformadas (processadas), as bolotas podem ter tido outras leituras, no contexto das polissemias do universo simbólico neolítico:

Objectos de adorno

Ferraduras


Cabanas

Mamoas

Barcos

Poderíamos mesmo encarar alguma relação simbólica entre bolotas e conchas, na transição Mesolítico/Neolítico. Na verdade, tal como as conchas são o exoesqueleto dos moluscos, as cascas das bolotas poderiam ser vistas como um "exocaroço".

Há, por outro lado, uma analogia obrigatória entre a bolota e o ovo, tendo em conta a forma geral, assim como a presença da casca. E as bolotas são como os ovos de onde saem as azinheiras (e os sobreiros e carvalhos).

Não é disparatado demais considerar que os menires de tipo "pedra talha" evocassem, entre outros aspectos (a figura humana, o falo, o dedo) a forma do ovo. As ferraduras "assentam" em figuras ovais. As cabanas da Idade do Bronze eram ovais. Os ovos de avestruz circularam na pré e proto-história.

A bolota aparece, por outro lado, na joalharia proto-histórica do Sudoeste Peninsular, associada a outras representações simbólicas.

Nota final:

este post (e o próximo) pretende ser um exercício de humor, com alguma seriedade. Como funciona mesmo a interpretação em arqueologia?












Valencina de la Concepcion

Os cidadãos de Valencina travaram e ganharam uma batalha contra a pressão urbanística sobre o famoso conjunto (povoado e necrópole) pré-histórico.
Exemplar...

Wednesday, November 05, 2008

E pur se muove


Megaconserto na Vendée, por Gérard Bénéteau

The hidden faces of the stones





La Pena de los Enamorados (Antequera)

Tuesday, November 04, 2008